Sábado, Fevereiro 26, 2005
Finding Neverland - *
Massacre da serra elétrica - 0
White Noise - *
hide and seek - 0
fantasma da ópera - *
comentá-los-ei em breve.
(ESTÁ NO LOG, confiram).
Não sei ainda se cairei no cliche de comentar os resultados do Oscar.
postado por Carlos Massari |
|
26.2.05
Segunda-feira, Fevereiro 21, 2005
DE VOLTA AO MUNDO MODERNO
Agora há contador de visitas por aqui. Também conhecido como medidor de fracasso.
postado por Carlos Massari |
|
21.2.05
Sábado, Fevereiro 12, 2005
DEUSES
Às vezes, uma cena pode dizer tudo sobre um filme, sintetizá-lo, desvendá-lo dependendo da situação. Quando se vê em uma sequência obras de Jean-Luc Godard, Martin Scorsese e Clint Eastwood no cinema, entra-se em um estado semi catatônico, após o êxtase cinematográfico. Para esse texto, tentei me basear em três cenas, uma de cada uma das produções. Nelas, mais do que simplesmente falar e sintetizar o determinado filme, há algo que pode ser observado de toda a carreira do diretor.
Nossa Música, de Godard. O cineasta experiente, interpretado pelo próprio Godard, dá uma espécie de palestra, onde discute vários assuntos, da relação de imagens de Hawks à guerra entre Palestina e Israel. Aquele não é simplesmente um cineasta veterano, é Godard, e ele fala com o público, de maneira direta. Nossa Música não é um filme convencional, é um desfile de idéias do cineasta, como já fora Elogio ao Amor. Ele fala sobre os contrastes do mundo, sobre o que é ficção e realidade e como isso pode ser incoerente dentro de seus conceitos. A única realidade é a ficção, a nossa música. E Godard se volta para seu passado de cineasta.
No final de Elogio ao Amor, um personagem descrevia como desejava morrer. Agora, Godard não se dá ao trabalho nem mesmo de colocar outro alguém falando. Muito provavelmente, em seu próximo filme se sentará em frente à câmera e ficará falando por duas horas. Ele pode, hoje em dia, filmar uma parede branca por duas horas e ser aplaudido. A questão é que nessa nova fase de sua carreira - A pessoal - Também há algo centrado em criticar impiedosamente os Estados Unidos, o que Godard vê de tão errado no mundo, em defender a teoria comunista.
Se a intenção a partir de agora é ser pessoal - A primeira parte aqui é um documentário completo, a segunda é uma falsa ficção, a terceira é onde unicamente haverá uma ficção no filme todo - Godard tem como principal idéia traçar seu perfil do mundo, falar de seus temas preferidos sem se preocupar com mais nada. A guerra é só pano de fundo de Nossa Música, sendo criticada nas primeira e terceira partes, para que na segunda haja a ideologia Godardiana.
Mas como eu disse, Godard pode, e como pode, fazer o que quiser no cinema. Se filmar uma parede branca por duas horas não será aplaudido pelo seu nome, mas simplesmente porque dara um jeito disso ser uma obra-prima.
O Aviador, de Scorsese. Em um teste de seu novo modelo de aviões, o magnata Howard Hughes quebra vários recordes de velocidade, porém passa a sofrer com o desconhecimento de problemas de sua nova invenção e perde altitude, sendo obrigado a pousar de maneira forçada em um campo de beterrabas. O avião passa por vários metros até finalmente parar. Cheio de suco, e não sangue, no rosto, Howard aguarda com um irônico sorriso aos seus colegas, que correm para socorrê-lo e se surpreendem com a integridade física do cidadão.
Deixando um pouco de lado toda a magnífica parte técnica, que dá o tom não só nessa cena, mas como em todo filme, vemos aqui Scorsese filmando o que mais gosta - Um personagem absoluto de si mesmo, de suas idéias - Como eram todos os anteriores - Travis Bickle, Jake LaMotta, Rupert Pupkin, entre outros - Com extrema confiança e teimosia, porém, distúrbios mentais que os impediam de ser aparentemente normais, transformavam-os em gente "scorseseana", os tipos que só o diretor consegue construir - Talvez isso seja muito superficial, uma análise um pouco profunda nos mostra que todos os seres humanos seriam "scorseseanos" o suficiente, cheios de todas essas caracterísitcas.
O Aviador foi muito comparado a filmes de Luchino Visconti, principalmente Morte em Veneza, não só pelo seu estilo de filmagem e enquadramentos, como principalmente pelo abuso do tema da solução, da aparente incomunicabilidade que se torna tão inevitável em alguns momentos. Poderia citar, para exemplificar melhor, a cena onde Howard Hughes está trancado em seu quarto, isolado do mundo por ter medo de conviver com os "germes". A loucura scorseseana surge, coloca-se à frente dos dons do personagem, e é aí que ele demonstra todos os seus talentos.
Scorsese tem dons e tem suas loucuras, seria portanto, segundo meu absurdo raciocínio, um personagem scorseseano, típico para uma auto-biografia. Viagem minha, péssima idéia. Esse parágrafo era para comentar que, de fato, ele é o melhor contador de histórias do cinema, e que usa a música como nenhum outro cineasta. E Aviador é seu melhor filme desde Goodfellas.
Menina de Ouro, de Eastwood. Um rapaz com problemas mentais que "treina" na academia de Frankie Dunn sonha em ser campeão mundial, vencendo alguém que até mesmo já se aposentou. Porém, ninguém tem coragem de alertá-lo sobre o fato, mantendo sua eterna ilusão. Um dia, quando tanto Dunn quanto seu "assistente" Scrap estão ausentes, os "maiorais" da academia resolvem tirar sarro da cara do cidadão e acabam dando-lhe uma surra. Ele cai, e na volta de seu treinador, diz "Eu nunca serei campeão mundial, certo?". O sonho é destruído com uma rapidez incrível.
Sonhos destruídos é o tema central de Menina de Ouro, o lugar por onde todos seus personagens, sem nenhuma exceção, passam. Uma fração de segundo destrói uma vida, o que se levou séculos para ser construído. Clint Eastwood aposta aqui no drama denso e contundente, sem jamais ser fácil. É algo extremamente difícil de ser digerido, como uma surra que o diretor desse em seu público para destruir seus sonhos. Não, viagem minha essa última afirmação, mas o filme é uma surra potentíssima, de fato. O que me espanta na filmografia recente do diretor é a insistência em tal tema, em como um ínfimo espaço de tempo decide uma vida toda, ou várias vidas, como foi o caso de Mystic River.
Não só Mystic River, como várias outras obras do diretor, incluindo Unforgiven, são repletas de personagens obscuros e melancólicos, assolados por fantasmas do passado, normalmente ligados à família e a pessoas queridas, mais frequentemente a filhas. Ligar o Jimmy de Mystic River a Frankie Dunn não é difícil, pela tormenta e incapacidade de reconstruir suas vidas, de ver tanto tempo perdido sem esperança de voltar atrás, de corrigir os erros, de reaver o que foi perdido. De ver sonhos destruídos.
Notre Musique.
De Jean-Luc Godard. Com Sarah Adler, Nade Dieu, Jean-Luc Godard
França, 2004, 80 Min, Em Cartaz.
The Aviator
De Martin Scorsese. Com Leonardo DiCaprio, Cate Blanchett, John C. Reilly, Kate Beckinsale, Alan Alda.
EUA, 2004, 170 Min, Em Cartaz.
Million Dollar Baby
De Clint Eastwood. Com Clint Eastwood, Hillary Swank, Morgan Freeman
EUA, 2004, 138 Min, Em Cartaz
postado por Carlos Massari |
|
12.2.05
|
 |
|
 |
 |