Domingo, Janeiro 30, 2005
TOP 10 DO ANO - PARCIAL
Esta lista será atualizada ao final de cada mês, com os filmes vistos durante o mesmo. Por enquanto, é uma coisa só, mas em breve devemos ter de piores também. Valem todos os filmes lançados no Brasil em 2005, independente do meio pelo qual foi lançado.
1. Jogos Mortais, de James Wan
2. Sobre Café e Cigarros, de Jim Jarmusch
3. Desventuras em Série, de Brad Silberling
4. 20 30 40, de Sylvia Chang
5. O Filho de Chucky, de Don Manicini
6. Machuca, de Andrés Wood
7. Alexandre, de Oliver Stone
8. A Lenda do Tesouro Perdido, de Jon Turteltaub
9. Entrando numa fria maior ainda, de Jay Roach
10. Closer, de Mike Nichols
Ficam fora da lista, portanto são os piores filmes do ano até o momento - O Grito, de Takashi Suzuki, e House of 1000 Corpses, de Rob Zombie.
postado por Carlos Massari |
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30.1.05
SER ORIGINAL
Originalidade não garante que um filme seja bom, mas já é um passo muito bem dado - E tal coisa não fica restrita apenas ao cinema, mas a todo tipo de arte e à prórpia vida. Ser original é algo como uma chave para o sucesso, apesar de que em alguns casos, mesmo sem a tal "originalidade" citada, haja algum triunfo.
Vamos analisar, portanto, o discurso inútil e nada original sobre a importância dessa qualidade através de um painel em dois filmes, ambos passando pelas magníficas salas de cinema tupiniquins. São exemplares de dois gêneros em acelerada decadência, decadência da originalidade e, logo, ascenção da repetição dos clichês. O primeiro que dissertaremos aqui é a comédia.
Comédias cairam numa sucessão de erros e de gags tããão convencionais que perderam a graça. Hoje, vai-se à sala de projeção assistir a uma delas sabendo exatamente o que será visto. Nos casos de comédia "família", com censura 12, no máximo 14 anos, haverá - e isso é invariável - uma lição de moral no fim. Há alguns outros sub-gêneros dentro da comédia, a adolescente, a romântica, etc, sendo que raramente alguma "escapa" do clichê.
A intenção inicial desse texto é falar sobre "Entrando numa fria maior ainda", ou como é muito melhor chamá-la, "Meet the Fockers". Além dos problemas citados no parágrafo acima, ele tem um agravante - É uma sequência. Sequências de comédias raramente dão certo, mesmo tendo um elenco estelar contendo Robert De Niro, Dustin Hoffman, entre outros.
A tendência para esses casos é a repetição. "Ctrl C + Ctrl V" nas piadas do predecessor, e Meet the Fockers não foge nem um pouco disso. O que é uma pena, já que "Entrando numa fria", a tradução bizarra para "Meet the Parents", fugia da descrição básica das comédias. Era um filme de gags não tão clichês assim, uma comédia sem nenhuma piada com flatulência é um alívio total.
Meet the Fockers, além de copiar as piadas do original, que sim, são ótimas, tem gags sobre flatulência, e isso já tira boa parte de sua credibilidade. Mais ainda, tem lição de moral no final. E piadas boas, normalmente, tem sua graça diminuida, não totalmente perdida, após a exaustiva repetição. Meet the Fockers, então, é algo nada original. Levando-se em conta a máxima que utilizei no primeiro parágrafo do texto, tende também a estar longe de ser um bom filme.
Mudemos então de campo, caros colegas (Como diria o excelentíssimo Rui Haagen-Daz). Outro gênero sofrendo de desgaste exaustivo é o terror. Ultimamente, os maiores sucessos têm vindo do oriente, contando historinhas sobre fantasmas de cara azul que atravessam televisores e dão telefonemas. O próprio trash americano caiu numa infinidade de refilmagens, de trashs que copiam os clássicos do passado, salvando-se pouca coisa para o consumo saudável. Irônico notar que ano passado o melhor exemplar do gênero era um remake.
Mas toda regra tem sua exceção, e a exceção à falta de criatividade dos roteiristas americanos chama-se "Saw", ou continuando a odisséia pelos tradutores brasileiros, "Jogos Mortais". Uma idéia bastante inovadora seria fazer um filme com uma micro-câmera colocada dentro do cérebro de alguém responsável pela tradução de títulos. Resta saber se seria uma comédia ou um terror.
No início de "Saw", duas pessoas estão acorrentadas às paredes opostas de um banheiro abandonado em algum lugar, sem saber porque, sem conhecer uma à outra. Eles percebem a existência de fitas de áudio contendo mensagens em seus bolsos. Após ouvi-las, descobrem que fazem parte de um jogo de um Serial Killer.
"Saw" é doentio. Palavra que costumo usar com frequência para filmes doentios, essa. Tipo de piada imbecil o começo desse parágrafo, desculpem. É um filme que é dotado de sadismo incomum, de cenas fortes, de agonia, de tensão, de reviravoltas, de uma trama bem pouco linear e comum, pelo menos não no conteúdo básico do casal amado que é perseguido pelo mascarado com objeto pontudo.
Existem histórias dentro do filme que doem no público. Existe a perseguição ao Serial Killer. Existem flashbacks da vida de cada um fora do banheiro obscuro. Existe a luta pela sobrevivência lá dentro, na corrida contra o tempo, contra um amigo conquistado em tão pouco tempo. O diretor, nominado amavelmente pelos seus pais de James Wan pelo que me recordo, está munido contra todo tipo de clichê, tenta apenas mostrar um jogo psicológico (E visual no sentido de algumas cenas mais incomuns, lembrando até exemplares como Ichi the Killer e Oldboy) capaz de prender o público à tela.
Infelizmente, "Saw" sofre algum aneurisma cerebral e no terceiro ato sente-se obrigado a cair no lugar comum. Por mais que tenha uma reviravolta fodésima, comete o tremendo erro de revelar a identidade do assassino, coisa que seria absolutamente desnecessária naquele momento, visto principalmente o clima pelo qual a produção passava.
Mas é brilhante na maior parte de seu tempo, e o melhor filme do ano até agora.
Meet the Fockers
De Jay Roach. Com Robert DeNiro, Ben Stiller, Dustin Hoffman, Teri Polo.
EUA, 2004, 115 Min, Em Cartaz, 12 Anos.
Saw
De James Wan. Com Carry Elwes, Leigh Whannel, Danny Glover, Shawnee Smith
EUA, 2004, 102 Min, 16 Anos.
postado por Carlos Massari |
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30.1.05
Quinta-feira, Janeiro 27, 2005
Perto Demais
Closer começa com The Blower´s Daugther, belíssima música cantada por Damien Rice que dá partida ao filme, quando Alice conhece Dan. Depois de um longo diálogo no qual o casal se conhece, passam alguns meses e lá estão eles, morando juntos. Conhecemos então Anna, uma fotógrafa recém-divorciada. Tirando fotos de Dan para seu livro, os dois acabam se beijando no estúdio. Depois de um tempo, Anna conhece de forma inusitada Larry, um médico dermatologista e após morar alguns meses juntos, eles se casam. A partir daí, dá-se o ponto de partida para os encontros e desencontros dessas quatro pessoas. Quatro personagens interessantes, bem escritos e melhorados ainda mais pelas quatro ótimas interpretações de seu elenco.
Baseada na aclamada peça do inglês Patrick Marber, Closer vem sendo acusado por alguns como teatral demais. O filme é teatral no melhor sentido da palavra. Trata-se de uma história contada completamente através de diálogos. Fala-se de sexo, sem precisar mostrar o sexo. Sendo completamente apoiado nos diálogos, ele depende cem por cento de seus atores e os diálogos excelentes fazem com que não se torne chato em momento algum. Há ironias e muitas nos diálogos, e ironias muito bem colocadas, e em questão de naturalidade, eu não conheço ninguém que pense muito antes de ofender, ou então de jogar alguma piadinha. Portanto, nesse quesito Closer é perfeitamente normal e os diálogos, dentro do contexto do filme soam perfeitamente bem colocados, como na cena em que Anna discute com seu marido, ou então na cena que Alice faz striptease.
Contanto com o ótimo roteiro de Patrick Marber, Mike Nichols ainda imprime em Closer sua direção segura, ágil e usa muito bem os truques que o filme pede. Um deles é o recurso em que se pula um grande tempo após cada cena. Nichols utiliza muito bem estes pulos, que jamais são acompanhados por legendas. O espectador vai descobrindo quanto tempo se passou através dos personagens. Isso mostra o quanto o filme não precisa mostrar o que aconteceu nesses intervalos, ele se foca basicamente nas partes decisivas da relação daquelas quatro pessoas e o que aconteceu entre esse vago intervalo de tempo, fica para que cada um formule em sua mente.
Mike Nichols mostra-se também excelente diretor de atores. Eu não gostaria de dizer que Julia Roberts e Jude Law são principais e Natalie Portman e Clive Owen são coadjuvantes. Todos aparecem quase o mesmo tempo em cena, mas Natalie poderia ser chamada de principal, pois sua personagem é a que tem mais importância na história. Natalie, a propósita, brilha. Sua interpretação é excelente, merecedora de todos os prêmios que vem recebendo. Impossível não se encantar pela moça. Julia também está ótima. Anna, sua personagem, é ao mesmo tempo doce e egoísta. Clive ótimo também e Jude Law apesar de ser o mais fraco, está muito bem também.
O roteiro mostra-se também maduro em mostrar quatro personagens simpáticos, agradáveis, pessoas normais, mas que são egoístas. Pensam na felicidade própria antes de tudo, sem pensar nas consequências alheias de suas atitudes. Eles traem, tem suas explosões em momentos específicos, mas apesar de cometerem erros, jamais soam como os batidos e usuais vilões. Todos os personagens são representações do bem e do mau, não há vilões nem mocinhas, o que torna o relacionamento deles ainda mais verossímel.
Outra coisa que torna o filme agradável é o alívio cômico. A cena em que Larry está participando de um chat na internet é hilariante. O humor do filme, logicamente está nos diálogos. Tudo é bem encaixado em Closer. O estilo moderno e refinado tem tudo a ver com a produção e a Londres contemporânea combina perfeitamente com aquele clima de amor e traição. Uma cena que representa bem o estilo alta classe do filme é a exposição fotográfica de Anna.
O final é excelente. Fecha o filme com chave de ouro, terminando com a mesma música com a qual começou. No final, muitas coisas se encaixam e Closer termina como um filme original, bem dirigido, bem atuado, agradável, interessante. Eu já tinha gostado do filme, mas confesso que na revisão, melhorou ainda mais. Quem disse que pra se fazer um filme sobre sexo, precisa mostrar o ato? Nichols prova o contrário com muito estilo e segurança.
Perto Demais
(Closer, EUA, 04)
De: Mike Nichols
Com: Julia Roberts, Natalie Portman, Clive Owen e Jude Law.
Drama, 104 minutos, 14 anos, Columbia.
A propósito, o comentário do Carlos para o filme encontra-se logo abaixo.
postado por FELIPE FIGUEIREDO |
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27.1.05
BARATAS TAMBÉM FODEM. OU NÃO
Mantenho o título e a imagem, porque realmente achei que foram ótimas idéias, e que a parábola em geral também foi. Porém, não consegui construir a idéia toda do roteiro das baratas argumentando ao mesmo tempo, e isso me torna um fracassado do mundo dos textos bloguísticos cinematográficos... Tudo ficou bastante vago, mas posso no decorrer desse post voltar a esses amáveis animaizinhos.
Queria falar sobre "Closer - Perto Demais", filme que despertou até uma sensação inesperada no público brasileiro, fazendo um público relativamente considerável. Julia Roberts e muito marketing na globo, apesar de que o boca-a-boca não tem sido muito bom. E o filme também está longe disso.
O mais impressionante de tudo é que para que o Sr. Mike Nichols queria fazer um filme sobre amor e sexo. Não a música da Rita Lee, mas os significados que essas palavras têm no dicionário. Porém, ele se esqueceu que um filme sobre amor deve ter amor, e um filme sobre sexo deve ter sexo.
Closer não tem nada disso. É sobre quatro pessoas, que eu tentei transformar em baratas aqui, com insucesso. Essas pessoas dizem que se amam, mas dedicam a maioria do seu tempo a destilar ironias desprovidas de muita inteligência, tanto por parte delas quanto principalmente do roteirista - E claro, a mostrar as mesmas pessoas se xingando e brigando de maneira também risível.
Há uma cena propriamente hilária, onde o marido pergunta à mulher se ela "Gosta de chupar o pau do amante". Tipo de coisa desnecessária, mas o filme parece beber de um modernismo - Ou de uma necessidade de ser moderno - interminável, onde quando mais cools parecerem os personagens mais apelo terão com o público, e daí todos os desdobramentos básicos da trama, do sexo virtual ao clube de strip, passando até mesmo pelo formatinho temporal que Nichols tenta imprimir.
Esse formato de pular 432 anos a cada cena é o que especialmente mais me irrita no filme, já que ele se importa somente com os "pontos cruciais" da relação - Coisa que foi também usada por François Ozon em "5x2". Mas em Closer há uma necessidade de didatismo que sobressai bastante, sendo que a cena seguinte sempre tem que explicar com detalhes tudo que aconteceu no intervalo entre ela e a anterior, duvidando da capacidade do público - Baita de um paradoxo, esse.
É paradoxal todo o filme, não só paradoxal como falso. Por trás da roupagem moderna e "cool", esconde-se algo cheio de clichês e referências quadradas, que precisa de lugares absolutamente comuns para conseguir seu desfecho - O close na plaquinha é o mais deprimente de todos. O momento choro é obrigatório e também tem que vir da maneira mais óbvia, por uma constatação didática e que nada acrescenta à obra - Só a torna, como eu já disse, falsa - Tão falsa como a personagem de Natalie Portman.
A atriz se esforça, mas também é afetada por sua personagem e os diálogos tosquíssimos do filme. Em uma dessas discussões incrivelmente irônicas, ela chega a dar sua pitada de pimenta no cú do parceiro antes mesmo de receber a sua - Diálogos são dados atropelando uns aos outros, tamanha a linguagem moderna e a inteligência jogada nos ombros dos personagens. Pena que, como o filme, é falso.
Baratas também fodem, a minha idéia inicial, começaria no período paleolítico. Seria sobre quadro baratas que trocam de parceiro, xingam umas às outras, ofendem umas às outras, trepam umas com as outras. Mas óbvio que elas foderiam só na imaginação, já que o tempo do filme seria todo gastado com ironias tolas e inconsequentes, com baratas tentando amar alguma semelhante, mas não conseguindo. Os saltos temporais seriam de 13 Milhões de anos, e a cada salto as baratas trocariam seu par romântico.
Closer é isso, mas com seres humanos de plástico.
Closer
De Mike Nichols. Com Julia Roberts, Jude Law, Natalie Portman, Clive Owen
EUA, 2004, 105 Min, 14 Anos, Em Cartaz.
postado por Carlos Massari |
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27.1.05
Terça-feira, Janeiro 25, 2005
SEM MAIS TROCADILHOS IDIOTAS
Eu parei. Não farei mais nenhum trocadilho imbecil nos títulos dos meus posts. Nem trocadilhos, nem distorções, nem constatações óbvias, nem nada. O que tinha sido anunciado no parágrafo inicial do post anterior aqui se confirma.
E isso chega quase a ser um lugar comum - Falar sobre algo non-sense no começo dos meus textos. Aliás, É um lugar comum, mas é um lugar comum meu basicamente - Talvez lugares comuns próprios não sejam tão prejudiciais como são os de Machuca, elogiadíssimo filme chileno de Andrés Wood que tenta reconstruir a situação política do país na época de Salvador Allende a partir do ponto de vista de dois garotos, um rico e outro pobre.
Os lugares comuns começam na sala de cinema. Ah não, desculpem, não é disso que estou falando. Começam no nascimento da amizade, via uma inimizade. Eles se odeiam, eles ficam amigos. Eles têm diferenças sociais configuradas de maneira bem estonteante. Os pais do rico são burgueses que viajam pra Roma e lêem livros raros. Os pais do pobre são favelados limpadores de banheiro. Lugar comum da vida real esse.
Eles amam a mesma garota, outro lugar comum. Ela é uma manifestante comunista de primeira linha, aparece com eles aí na foto. O trio é uma espécie de Jules/Jim/Catherine em alguns momentos. Mas Truffaut não caia em lugares comuns. Wood cai, e demais. As crises do grupo são irritantes. São aquelas coisas onde a criatividade parece ter desaparecido do filme e feito um longo passeio. Passeio sabe-se lá pra onde.
Todos os erros bisonhos do filme marcam a diferença social da pior maneira possível, mostrando o quanto os pais de Infante são ricos e os de Machuca são pobres. Sempre o pobrezinho é colocado contra a parede, é espancado, humilhado, coitadinho, e não pode fazer nada. O rico lambe os beiços e dá uma alta e sonora gargalhada. Não é assim que se faz denúncia social. Felizmente, nos cinco minutos finais Wood consegue ser irônico e pessimista ao mesmo tempo, com uma voracidade incrível, criando uma pequena jóia no encerramento do filme.
Não dá pra comentar muito sem spoilers. Não pretendo fazê-lo. Mas há uma cena em especial, apesar de todo o final ser bastante bom, que é digna de aplausos. E assim Machuca cai em um mar de erros e acertos, como painel político talvez até válido, como experiência cinematográfica bastante falha.
Se Andrés Wood é um cineasta de lugares comuns, o mesmo não pode ser dito de Jim Jarmusch. Afinal, é raro encontrar um filme sobre café e cigarros. E sobre invenções físicas, sobre limpadores de fogão, sobre horários no dentista. Jarmusch junta diversos diálogos envolvendo gente bastante famosa, sobre os temas mais viajados possíveis, para poder fazer um filme que não sei exatamente como classificar.
Sobre Café e Cigarros é uma coletânea de curtas sobre café e cigarros. É uma coletânea de diálogos com pessoas tomando café e fumando cigarros em mesas de bar. Tem Steve Buscemi e Bill Murray como garçons. Tem Alfred Molina, Cate Blanchett, Roberto Benigni, entre outros participando de impagáveis auto-sátiras.
Os diálogos são em maioria inteligentíssimos, divertidíssimos, dinânicos, até mesmo quando são sobre física e envolvam Jack e Meg White. Claro que não dá pra fazer todos fluirem da mesma maneira, e a alguns bem abaixo dos outros. O maior destaque é mesmo para Bill Murray fazendo gargarejo com limpador de fogão e discutindo medicina alternativa com dois rappers.
Jarmusch é definitivamente louco.
Machuca
De Andrés Wood. Com Matías Queer, Ariel Mateluna, Manuela Martelli
Chile, 2004, 120 Min.
Coffee and Cigarretes
De Jim Jarmusch. Com Bill Murray, Alfred Molina, Cate Blanchett, Roberto Benigni, Steve Buscemi.
EUA, 2003, 94 Min.
postado por Carlos Massari |
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25.1.05
Sábado, Janeiro 22, 2005
ALEXANDRE, O GRANDE... FRACASSO
É patética minha capacidade para dar títulos aos posts. Chega muito, mas muito perto do chão, já que tem que haver ironia em tudo e eu não consigo por o mínimo de ironia neles, como foi o caso aí em cima. Porém, há algo mais grave a se salientar nesse primeiro parágrafo, o dedicado à "cultura inútil" - O Felipe fez um post aqui. Sim, isso mesmo, não é ilusão de ótica o que está logo abaixo desse texto. Logo ele deve descrever aqui as 45 punhetas que bateu pra Julia Roberts, aquela coisa horrível, durante a sessão de Closer.
Ah, o que interessa, sejamos sérios então. Tão sérios como Oliver Stone quis ser, ou então pensou em ser, ou tentou ser, ao fazer a versão épica da história do cidadão que conquistou metade do que ele achava que era o mundo. Observando-se a foto escolhida com precisão para ilustrar esse post, percebe-se que ele não conseguiu ser tão sério assim, já que não dá pra levar muito a sério que alguém com um metro e meio de altura montado em um cavalo encare algum bárbaro montado em um elefante indiano.
Portanto, tem sobras de coisas irritantes durante a projeção, o que mais dói é o filtro vermelho aplicado nas cenas de batalha, uma coisa abusiva, doentia, desnecessária, tipo conspiração de JFK. Oliver Stone é um cineasta irritante justamente por sua histeria, total falta de cuidado com suas imagens e suas teorias - O que antes se aplicava ao patriotismo exagerado, hino americano, exaltação à nação ianque, passa a valer para os filtros vermelhos, diálogos tão artificialmente declamados que lembram Olga.
Stone tem sim uma noção de câmera, de construção de cena bastante respeitável, sabe usar bastante bem os elementos de uma cena, mas tem mesmo o gravíssimo defeito da megalomania, de querer criar coisas maiores do que pode ou do que deve, construíndo as batalhas de maneira confusa e absolutamente nada aproveitável. A megalomania também aparece totalmente presente nos discursos onde Alexandre ou Olympia, Colin Farrel e Angelina Jolie respectivamente, declamam versos clássicos de sei lá quem um para o outro, fazendo pose de sucuri prestes a dar o bote.
Há o contraponto de que a relação entre Alexandre/Olympia é bem interessante para o filme, como seriam algumas outras cenas de alguma importância - Alexandre sendo proclamado rei, as passagens todas mais ao oeste, o retorno para a babilônia, o encontro com a diviníssima Rosario Dawson, que é sim a melhor coisa do filme. Como esboço de construção da personalidade do conquistador, o filme faz o que é possível dentro da metragem cinematográfica.
Não é necessária basicamente nenhuma aula de história pra se acompanhar isso, é um épico como outro qualquer, modelado no tempo e no formato, com o toque nada sutil de Oliver Stone e atuações canastronas. Irrita em alguns momentos, mas não deixa de ser assistível ou recomendável por causa disso.
Alexander
De Oliver Stone. Com Colin Farrel, Angelina Jolie, Anthony Hopkins, Val Kilmer
EUA, 2004, 174 Min, 14 anos.
postado por Carlos Massari |
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22.1.05
Terça-feira, Janeiro 18, 2005
Retorno definitivo ou não?! e mais 5 filmes comentados:
Bom, em primeiro lugar, queria dizer que faz tempo que não escrevo nada aqui no Cinéfilos. Além da preguiça, é claro, as coisas pioraram com o péssimo estado do meu computador. Lento demais, fui descobrir que nele havia mais de mil vírus espalhados. Agora que está tudo bem, estou de férias ainda (até 1 de março), pretendo voltar a escrever mais. E pra começar e recuperar o tempo perdido, vou falar sobre os 5 filmes que eu já vi no cinema este ano:
O ano começa bem para o cinema nacional. O mais novo longa de Jorge Furtado é ótimo. Um filme completamente simples, mas que carrega um ar completamente original. Como todo mundo já sabe, "Meu Tio Matou um Cara" trata-se de uma história adolescente, em que o garoto Duca, se apaixona por sua melhor amiga, Isa, que já é apaixonada pelo melhor amigo dele. Como trama paralela, mas que é perfeitamente encaixada na trama central, temos a história de Éder, tio de Duca que mata o ex-marido da namorada. O filme é divertido, tem seus momentos de humor, e o relacionamento dos 3 amigos, que é muito bem tratado por Furtado, que mostra mais uma vez interesse pelo universo adolescente. Apesar de estar péssimo, Darlan Cunha, que protagoniza o filme, felizmente não estraga o clima do filme. Sophia Reis está bem, Aílton Graça, Dira Paes, Deborah Secco, em papéis menores, não fazem feio e Lázaro Ramos está correto. Um filme que merecia sem dúvida mais atenção do público nacional.
Como nem tudo é perfeito, foi lançado logo no começo também, um filme que pretende se manter firme até o final de 2005 como um dos piores do ano. Trata-se do lixo "Blade Trinity". É vergonhoso como cada vez mais temos caça-níqueis em que os criadores não se dão ao trabalho nem ao menos de construir um fiapo de história. Um fiapinho sequer. Blade Trinity repete os filmes anteriores e trata-se do caçador de vampiros Blade, agora com mais amiguinhos (Jessica Biel e Ryan Reynolds), indo atrás de vampiros, lutando, blá, blá e etc. O filme não tem absolutamente nada. Somente milhares de explosões, vampiros virando pó e Wesley Snipes repetindo o que já tinha feito nos filmes anteriores, incluindo as lutas e caras e bocas. Além disso, o filme é insuportável, ridículo e mereceu o fracasso mundo afora. Espero que não façam um Blade 4.
Filme completamente boboca, fácil de ver e de entender, este "A Lenda do Tesouro Perdido" tem grande apelo com o público infantil. É ação das mais fáceis e menos violentas possíveis, são pistas bem simples que levam o trio principal ao tesouro. É tudo muito clichê no filme. Cada detalhe é mais que o outro, mas o filme acaba divertindo. Nicolas Cage lidera o elenco e tem como mocinha da história a bela Diane Krueger, que mostra não só aqui, como em seus outros filmes, que talento ainda não é uma de suas qualidades. Mas o filme caminha clichê, tem seus momentos engraçados até o seu final, que não precisa ser nenhum gênio para adivinhar. Ah, e ainda tem os vilões, para complicar a vida de Cage e seus amigos. Mas não importa, de qualquer forma, tudo dá certo para os mocinhos e eles vivem felizes para sempre... Isso é Hollywood, isso é Jerry Bruckheimer, isso dá rios de dinheiro e o público gosta. Seria a fórmula perfeita para encher os cofres???
Mais um exemplar de refilmagem de filme de terror japonês, O Grito, não é um filme totalmente ruim. Tem suas qualidades, tem bons sustos para o público, mas fica num problema sério para filmes de terror: o clima não é bem construído e construír um clima verdadeiramente assustador é difícil, mas essencial para que um filme de terror funcione bem. O problema é que susto não tem nada a ver com clima e tudo acaba caindo nos sustos, que são fáceis e eficazes. É só botar uma criatura estranha, aumentar a trilha sonora e pronto. O espectador já dá um pulinho da cadeira. A história tem seus furos que não vale questionar aqui, mas eu achei interessante a resolução e de como as coisas se encaixam no final. No elenco, Sarah Michelle Gellar no papel principal e participação rápida de Bill Pullman. Só achei que o recurso de não contar a história em ordem cronológica é pra disfaçar o quão pouco o filme tem para mostrar. Mas não é de todo ruim.
E chegou aos cinemas brasileiros na sexta passada, um dos maiores fracassos do ano passado nos EUA. "Alexandre" foi detonado pela crítica e se saiu muito mal no Box Office americano. O filme não é um lixo, mas tem sérios problemas que prejudicam muito sua trajetória. Oliver Stone quer retratar a vida de Alexandre, seus acertos, seus erros, seus amores, seu íntimo, suas conquistas. Mas ele sabe que para isso, precisa incluir de pano de fundo a história dessa época. O que acaba acontecendo é que o filme é sobre a pessoa do Alexandre, mas os fatos históricos acabam ficando como pano de fundo. O que dizer da cena de uma batalha e logo depois, pula anos e diz que Alexandre conquistou não sei quantos lugares? O filme não mostra essa conquista. Ele somente cita na narração de Anthony Hopkins, mas deixa de lado aquilo que o público quer ver. E por se tratar disso, as três horas de filme acabam parecendo ainda mais longas. Gosto da atuação de Colin Farrel, mas Angelina Jolie exagera demais como Olympia. Ela erra no sotaque principalmente, que soa como algo nada natural. O visual do filme também considero excelente, portando, não é um filme que eu diria que odeio. Mas o erro mesmo fica por conta das decisões de Oliver Stone e dos roteiristas para a história. Mas o público ávido por batalhas sangrentas é que vai sair do cinema com raiva. E prepare-se para as mil piadas quando Colin Farrel tem alguma cena romântica com Hephaestion, interpretado por Jared Leto. Mas vale lembrar que o filme não tem cenas fortes nas batalhas e muito menos nas relações homossexuais de Alexandre Magno.
Meu Tio Matou um Cara
(Brasil, 04)
De: Jorge Furtado
Com: Darlan Cunha, Sophia Reis, Lázaro Ramos, Deborah Secco & Dira Paes.
Comédia, 87 minutos, 10 anos, Fox.
Blade Trinity
(Idem, EUA, 04)
De: David S. Goyer
Com: Wesley Snipes, Jessica Biel, Ryan Reynolds, Parker Posey & Kris Kristofferson
Ação, 106 minutos, 16 anos, Playarte.
A Lenda do Tesouro Perdido
(National Treasure, EUA, 04)
De: Jon Turteltaub
Com: Nicolas Cage, Diane Krueger, Jon Voight & Harvey Keitel.
Aventura, 100 minutos, Livre, Buena Vista.
O Grito
(The Grudge, EUA, 04)
De: Takashi Shimizu
Com: Sarah Michelle Gellar, Bill Pullman & Clea DuVall
Terror, 96 minutos, 14 anos, Europa.
Alexandre
(Alexander, EUA, 04)
De: Oliver Stone
Com: Colin Farrel, Angelina Jolie, Anthony Hopkins, Val Kilmer, Jared Leto & Rosario Dawson.
Aventura, 176 minutos, 14 anos, Warner
E dia 21 nos cinemas:
Em breve coloco a minha lista com melhores e piores do ano.
postado por FELIPE FIGUEIREDO |
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18.1.05
Sexta-feira, Janeiro 14, 2005
TOP 15 MELHORES FILMES DE 2004
14 dias de atraso, algo realmente considerável. Só pra provar o quanto sou vagabundo... Vamos ao que interessa.
15 - Diários de Motocicleta, de Walter Salles
O road movie sul-americano, pobre de idelogia, já que se trata de uma jornada de ninguém menos que Che Guevara, porém recheado de emoção. O coadjuvante Rodrigo de la Serna ofusca Gael Garcia Bernal, cria um Alberto Granado tridimensional, divertido e ao mesmo tempo convincente. Belo painel do continente de terceiro mundo em que vivemos. E sim, isso está podre, mas é o que eu lembro do filme.
14 - Entreatos, de João Moreira Sales
O sobrenome é o mesmo, coincidência bizarra. Mas o filme é bem diferente, ou por outro lado nem tanto - Documentário que acompanha Lula durante sua campanha para presidência, revelando seu lado real, de peão nordestino erradicado como metalúrgico, o presidente comentando cachaça, futebol, o Corinthians, a situação do Santos no campeonato. O presidente zoando FHC e falando palavrões. O presidente sem ser presidente.
13 - Madrugada dos Mortos, de Zack Snyder
Refilmagens tendem ao fracasso. Essa é a normalidade dos fatos, mas não foi o que houve com a estréia de Zack Snyder nos cinemas, pegando o clássico de Romero e dando-lhe nova versão. Esse é um filme de ação/terror acachapante (Viva o Tabajara e seu locutor!), que pega o espectador e não lhe dá tempo para respirar, início sem apresentações, justificativa nenhuma, humanização, ausência de mensagens sociais a não ser a já óbvia metáfora aos consumidores/zumbis, não há salvação para a humanidade.
12 - 21 Gramas, de Alejandro Gonzales Iñarritu
Edição revolucionária é o tom desse filme, que corta a narrativa comum em mil partes e a remonta como quer, criando um novo estilo de compreensão. É inútil, ok, mas serve de experimento. Fora isso, história pesadíssima, soco na cara do público que fica parado ao final do filme, sem reação. No mesmo estilo de Amores Brutos, como se fosse um aperfeiçoamento.
11 - Escola de Rock, de Richard Linklater
"O homem queria ser livre, e para isso criou o rock. Mas então acabaram com o rock, inventando a MTV". Escola de Rock é uma ode ao rock clássico, que Linklater (e eu) tanto gosta, homenagem a Led Zepellin, a Pink Floyd, a Deep Purple, em forma de comédia estrelada pelo hilário Jack Black. A comédia que ataca White Stripes e a nova música típica, que mostra um fundo de esperança junto a todas as gargalhadas.
10 - Elefante, de Gus Van Sant
Palma de ouro em Cannes, o fime que recria o massacre de columbine inovando absolutamente na edição e na forma de contar a história. Personagens humanos se tornam fantoches na mão do diretor, que brinca temporalmente com eles antes de reproduzir o tiroteio. Os assassinos, igualmente humanos, são envolvidos no meio disso. Não há julgamento algum. Não há a mínima tentativa de apontar um motivo. É experimento cinematográfico brilhante e humanização de assassinos, filme choque que choca por suas próprias imagens, e não por palavras mal colocadas.
9 - Prova de Amor, de David Gordon Green
Coisa de momento talvez, filme com o qual me identifiquei imensamente, romance adolescente não tão romântico e não tão adolescente, sensível ao limite máximo, devagar no ritmo, mais preocupado com seus personagens que com seu público. Cenas memoráveis, atuações idem, final melancólico, outro filme que pouco acredita na salvação da humanidade, entenda-se isso como quiser.
8 - O Pântano, de Lucrecia Martel
Filme plenamente visual que se estabelece em cima de relações tensas, criadas com extrema precisão pela câmera de Lucrecia Martel. O filme cheira à pura tensão, exala tensão o tempo todo, engana o espectador, mente. Induz a acreditar em algo que não existe, ensaio sobre a família média argentina que talvez sirva como metáfora para a indução do público à mentira, ou vice-versa.
7 - Para Sempre Lilya, de Lukas Moodysson
Moodysson sai de dois filmes otimistas e cheios de alegria, "Be happy", para cair diretamente em um abismo de pessimismo e melancolia, um filme sem perspectiva nenhuma sobre alguém sem perspectiva nenhuma. Lilya, do título, passa por todas as humilhações existentes e possíveis para ela, de ser abandonada pelos pais, estuprada, prostituída, até o final aparentemente irônico, mas altamente desolador.
6 - Kill Bill Vol 1, de Quentin Tarantino
Pra mim é um filme só, mas já que foi lançado como dois, vamos assim. Essa é a parte Sergio Leone do filme de Tarantino, da trilha sonora com lances de Morricone ao estilo de filmagem. Quase não há espaço para os típicos diálogos do diretor, a preocupação é evidentemente maior com a destreza para filmar sequências de ação, brincar com a violência estilizada e a vingança da noiva, outra vez tema que remete diretamente a Sergio Leone.
5 - Antes do Pôr-do-Sol, de Richard Linklater
Segunda aparição de Linklater no top, desta vez com o romance que ocorre quase em tempo real, sequência daquele que era até então seu melhor filme. Mas não, esse aqui é seu melhor filme agora. Mais emocionante, com diálogos extremamente leves mas que levam à reflexão (filme que não há praticamente nenhum segundo sem diálogo, a maioria com tons reflexivos) e aos risos, já que foi provavelmente o filme mais engraçado do ano, mesmo sem ser comédia. Desta vez o que não tem perspectivas é o romance, mas Linklater deixa o pessimismo de lado e seu final em aberto.
4 - Edukators, de Hans Weingartner
Filme ideológico que faz um belíssimo par com aquele que virá mais à frente liderando esse top. Trio de sonhadores anarquistas perdidos em um mundo ridiculamente capitalista ainda tentam fazer algo para "mudar o mundo". Acidentes ocorrem e o filme busca uma solução para o fim das ideologias do mundo após a revolução estudantil da França. Zoa o capitalismo e a burguesia de maneira estridente e irônica, talvez o filme que mais aplausos recebeu na Mostra de SP.
3 - Kill Bill Vol 2, de Quentin Tarantino
Tarantino quebra com o ritmo Sergio Leone e transforma o volume 2 em algo mais pessoal, com seus tão típicos diálogos sobre o nada (ou coisas pops que estejam fora de contexto) em horas inoportunas. Toma aqui um estilo Nouvelle Vague, François Truffaut de tornar algo tão inicialmente brutal em um tremendo romance - Mas Tarantino é Tarantino, e outra vez quebra com o esperado em um final abrupto, criativo e que não se sabe dizer se era esperado ou não.
2 - Encontros e Desencontros, de Sofia Coppola
Difícil definir a viagem de Bob e Charlotte ao Japão. É divertida demais, engraçada demais, mas é silenciosa, solitária como um personagem de Tarkovski. Os dois estão lá, pedidos, mas têm um ao outro, e é o que importa. Coppola, filha de Francis Ford, boa-vida completa pelo visto, critica com sutileza a futilidade da sociedade moderna, e faz de seus dois personagens oásis de cultura e emoção humana, sendo uma pretensa filósofa entediada e um ator decadente, juntos, o casal mais fascinante em muito tempo, mesmo não sendo exatamente um casal.
1 - Os Sonhadores, de Bernardo Bertolucci
O cinema. O cinema que causa o delírio, que causa emoções pouco previstas, que muda completamente algumas vidas, que tende a tornar textos como esse altamente piegas. O cinema é o homenageado por Bernardo Bertolucci, junto à revolução e à buceta de Eva Green. Cinema + Revolução + Buceta + Paris + Álcool + Passado, a liberdade absoluta de três serem que transitam entre todos os fatores adicionados uns aos outros aí em cima, o mundo de sonho que não se cansa, a não ser na obrigação de produzir mais liberdade. O trio mais fascinante do cinema em muito tempo.

postado por Carlos Massari |
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14.1.05
Sábado, Janeiro 08, 2005
TOP 15 PIORES FILMES DE 2004
Criminoso tirar a foto de Lit pra por isso aqui.
Estou atrasado com as listas. Desde o começo do ano estão prontas, mas dá muita preguiça de vir até aqui, escrever, comentar, não lembro o nome da maioria dos diretores dessas coisas aqui. Resolvi postar, de início não tem fotos, daqui a pouco terá. Divirtam-se.
15. Mulher Gato, de Pitof
Causa espanto ver um filme dirigido por um tal de "Pitof". O que será um "Pitof"? Parece nome de chip metálico daquelas séries nérdicas da década de 70. Ou seja, não é diretor de cinema, é alguém que deve se achar cool a ponto de filmar uma HQ criando uma modernização ridícula, banalização de personagens, diálogos medonhos, estilização que beira o surrealismo, porém involuntariamente, o que não pode de modo algum ser boa coisa.
14. Alien Vs. Predador, de Paul Anderson
Paul Anderson deve estar presente aqui todos os anos, já que sua contruibuição aos "piores filmes" no cinema é grandiosa - Sempre aparece com uma novidade no mercado terrorista. Depois das adaptações dos video-games, foi a vez de confrontas os dois monstros, configurando um assassinato completo a clássicos do passado, um roteiro sem pé nem cabeça, cujo único sentido é o pretexto para a briga. Ah, mas a fotografia é tão ruim que quase não se vê a briga.
13. Fúria em Duas Rodas, de Joseph Kahn
Velozes e Furiosos era ruim, mas poderia ficar ainda pior caso houvesse mais incompetência por seus realizadores. Alguém assistiu e resolveu completar o desastre, fazendo Fúria em Duas Rodas. Viva as corridas de moto, as insanidades hollywoodianas, viva a filmagem escabrosa de tão horrível, o roteiro inexistente, a mediocridade completa que se vê nesse tipo de coisa.
12. A Batalha de Riddick, de David Twohy
Primeiro exemplar, Eclipse Mortal, tinha uma fotografia lindíssima, um clima maravilhosamente composto, era até intrigante e divertido. A sequência mata tudo, desde as situações ridículas, conseguindo matar até mesmo a fotografia, que nesse caso, também é horrível.
11. Contra Todos, de Roberto Moreira
Amarelo Manga reloaded, Todd Solondz encarnado na classe média paulistana, estereótipos, clichês, a humanidade não presta, é um lixo completo. Tem nesse filme uma coisa sensacional, a atuação de uma das coadjuvantes que é das melhores do ano, mas é pouco, pouco demais para algo tão nojento e repugnante, para o retorno dos açougues metafóricos à nação brasileira. Um açougue de cineastas ruins.
10. Mansão mal Assombrada, de Rob Minkoff
A comédia babaca, sem graça e clichê de Eddie Murphy, que definitivamente chega ao fundo do poço. Liçãozinha de moral no fim é o mais irritante de tudo, é o filmeco feito sob medida para as famílias de classe média irem ao cinema e sairem pensando como a vida é linda, como o mundo é valorizado por seus rios de grana e pelo amor familiar. Vomitante.
9. Sexo, Amor e Traição, de Jorge Fernando
Jorge Fernando. Tal nome remete diretamente ao lixo. Às novelas globais, magníficas, cheias de humor, de atores da mais alta qualidade. Ele transporta isso para o cinema, quer dizer, faz um capítulo de uma novela que foi exibido nas salas de cinema, com Malu Mader, Murilo Benício e outras coisinhas deprimentes da dramaturgia nacional. Triste.
8. Os Esquecidos, de Joseph Ruben
A pior reviravolta de todo cinema mundial está aqui. Quer dizer, nem é reviravolta, é uma revelação mesmo, é a trama dos ETs malvados que somem com pessoas e apagam-nas da memória de suas mamães tristonhas desesperadas com o sumiço repentido, Juliane Moore desperdiçada nisso aqui, efeitos especiais hilários, outra comédia involuntaria.
7. Nina, de Heitor Dhalia
Crime e Castigo. O crime - Esse filme. O castigo - banimento eterno do cinema de Heitor Dhalia. Assassinato, história mal desenvolvida, mal contada, atuações ridículas, estilização gráfica da pior imaginável, cinema nacional marca presença forte nesse top.
6. Quero Ficar com Polly, de John Hamburg
Vocês não pensaram que o top ia ficar sem nenhuma comédia adolescente, certo? Ok Ok, filme com todos os clichês existentes no mundo, todas as piadas incrivelmente constrangedoras existentes no mundo, repetições, atuações, Ben Stiller se repetindo, Jennifer Aniston se repetindo, o cúmulo do cúmulo, e a partir daqui tudo fica equilibrado no quesito ruindade.
5. A Cartomante, de Wagner de Assis e Paulo Uranga
Outro capítulo de novela global exibido por engano nas salas de cinema. Esse aqui tem um elenco maior ainda, Deborah Secco, Giovana Antonelli, Silvia Pfeiffer, os galãs lá que eu não faço a mínima questão de lembrar o nome, atuações que passam de qualquer limite do patético, diálogos que fazem qualquer um gargalhar sem parar mais, o filme é um novo nome para a palavra "desastre". E o pior é que é adaptação de Machado de Assis.
4. Em Nome de Deus, de Peter Mullan
Freiras velhas com sorriso sarcástico no rosto, gargalhada de lado, bruxa Keka carregada na competição de buceta mais peluda do convento. Filme conformista disfarçado de protesto, de indiganção. Realidade distorcida como os sorrisos das freiras. Mulheres retardadas sendo zoadas, espancadas e esquecendo de depilar as bucetas.
3. Ken Park, de Larry Clark
Larry Clark é o diretor cujo todos os filmes feitos por ele estarão marcando presença forte nesse top. O inimigo dos jovens, o nerd maldito, o cidadão que acha que todo adolescente é um monte de lixo, imbecil, sem nenhum cérebro que bate punheta o dia inteiro e se suicida em seguida por motivos do além. Seria um bem ao mundo se Clark se suicidasse.
2. Olga, de Jayme Monjardim
Quase no fim da lista, quase no fim! A emoção de plástico do cinema nacional, o fim do mundo, a neve é uma metáfora à emoção, os diálogos declamados, a distorção histórica, a transformação de Olga em uma chata, ridícula, espancável e de Prestes em um retardado. A pieguice amalucada, emoção quase Spielberguiana do final dessa produção de plástico, visual enferrujado, crime contra o mundo chamado Olga.
1. A Paixão de Cristo, de Mel Gibson
Oscar de melhor ator garantido. Para o martelo. Ou o chicote. Ou a cruz. São as únicas coisas existentes em um filme que para mim é 100 e tantos minutos de um cidadão qualquer (sou ateu) apanhando sem parar, e só. Pra que ir no cinema ver tanta apelação? Pra que alguém faz um filme sobre seu mártir apanhando? Pra que alguém faz um diabo travesti? O sangue espirra, o espectador sai do cinema indignado com tanta merda junta. É esse, meus caros, o pior filme do ano.

postado por Carlos Massari |
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8.1.05
Segunda-feira, Janeiro 03, 2005
TOP 10 CENAS DE 2004
Plagiando um pouco o que o KMF fez no Cinemascópio.
Pode conter Spoilers.
Ainda falta 3 ou 4 filmes pra fechar o top de 2004, mas acho que isso já dá pra fazer.
Vamos lá.
1. Encontros e Desencontros - O beijo de Scarlett Johansson e Bill Murray no final, após a despedida, a fala sutil no ouvido, o "OK", o espectador não ouve, fica aberto. Sonho, fantasia, cinema é isso. Foto acima.
2. Kill Bill Vol. 2 - A noiva usa as técnicas de Pei Mei para sair do caixão, tela escura, domínio de câmera perfeito de Tarantino, efeitos de imagem, uso genial da luz e da fotografia, a triunfal saida da noiva.
3. Os Sonhadores - Eva Green se transforma em Jean Seberg. "Eu nasci em 1959, na Champs-Elysées, gritando New York Herald Tribune! New York Herald Tribune!". Cena original de Acossado na tela. Eva Green se compara à Nouvelle Vague, perfeição de mulher, perfeição de cinema. Delírio total.
4. Entreatos - Lula discursa sobre FHC. Na intimidade, tomando pinga e fumando, de maneira brilhante "Não tem como uma porra de país que tem um presidente que não toma pinga e não joga bola ir pra frente, caralho!". O presidente mais sóbrio do que nunca.
5. Kill Bill Vol. 1 - A perfeição gráfica do confronto entre A Noiva e O-Ren Ishii. Na neve, a espada manchando a neve de sangue, "Era mesmo uma Hattori Hanzo!". Tarantino outra vez desfila seu interminável talento pela tela.
6. Edukators - O cartaz grudado na parede no momento final. É anti-conformista, sim, é utópico, e demais. Mas o filme todo é utópico, de uma certa maneira, e o cinema tem todo o direito de ser utópico, de ser o que ele quiser.
7. O Pântano - Lucrecia Martel brinca com a linguagem, brinca com as imagens - A cena do chuveiro, tensão explicita. Câmera na água, escorrendo ao chão, sabão, "Alguém vai escorregar", pensa o espectador. Um personagem se esfrega no outro, vai rolar sexo. Nada acontece, Martel manipula como ninguém, de maneira fabulosa.
8. Os Sonhadores - Abrupto, triste, radical, instantâneo, o final que desagradou a muita gente é genial - Sem entrar em maiores detalhes para não entregar muita coisa, mas o desfecho da relação dos personagens entre si e principalmente, com a revolução, mostra-se impecável.
9. Antes do Pôr-do-Sol - The Waltz, Julie Delpy cantando para Ethan Hawke, um mar de humor até nessa cena, um mar de romance, uma letra maravilhosa, atuações sensacionais. Linklater demonstra seu talento com atores, com roteiros, com tudo.
10. Kill Bill Vol. 1 - Momentos antes do confronto com O-Ren Ishii, A Noiva havia despachado os 88 loucos, os guarda-costas de O-Ren. Um espanto na trilha sonora, na quantidade de sangue, e vindo de Tarantino, na qualidade da imagem filmada.

postado por Carlos Massari |
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3.1.05
Domingo, Janeiro 02, 2005
GRITOS DE PAVOR, E OUTRO FILME AÍ
"Terror japonês", há uma espécie de nova ordem no cinema que tem como lógica o fato de "todo filme de terror japonês lançado ultimamente é ótimo". Existe Takashi Miike, ok, mas por mais incrível que seja, nenhum americano refilmou nada dele - Ainda bem. Então, estabelece-se uma outra reação lógica, algo do tipo "Quanto menor a qualidade, maior a chance de ganhar uma versão americana, u-hu", coisa que nos obriga a ter duas versões de lixos do naipe de O Chamado (Ringu) e O Grito (Ju-On).
O terror japonês de Hideo Nakata, do cidadão que fez isso daqui (Se não me engano, tem como nome Takashi Shimizu), dessa nova geração em geral, é composto basicamente de espíritos de cara deformada que fazem ligações telefonicas, saem de dentro de aparelhos eletrônicos e tiveram uma morte relacionada à água. Há muitos fios de cabelo perdidos pelas casas, locais de morte, muitos sustos relacionados a gente morta de cara azul.
Sempre tem uma maldição, que pode partir de um ditado popular japonês, e um objeto que invariavelmente levará a morte aos seus usuários - No caso de Frolic, ops, Ringu, era uma fita de vídeo, aqui é uma casa. Os espíritos são mais poderosos que os de Ringu, além de fazerem as mesmas coisas, eles voam, aparecem como seres vivos e conversam com os personagens, e matam. Matam, sem escapatória nenhuma.
A estupidez que envolve esse filme é nojenta. A direção que cria efeitos tridimensionais de cara azul saindo da tela, sustos clichês, o roteiro que não tem o mínimo interesse com nada, apenas de fazer suas mortes ridículas, apesar de ser bastante simples e não criar enrolações como O Chamado, tem o dom de ter um furo IMENSO, maior que todos da comida de cachorro juntos. Shimizu não respeita o tempo, não respeita o espaço, não respeita nenhum dos elementos que normalmente estariam presentes em um filme. Só vemos demonstrações espirituais de casa de umbanda, uma mulher Samara-reloaded de ser usada em sessão de descarrego.
O que há de patético, de constrangedor nele, não está escrito em lugar nenhum. As gargalhadas da platéia na hora dos "sustos de cara azul" são a maior prova que não, o horror japonês não é nada original. E que não chamem ninguém para refilmar Gozu ou Ichi the Killer.
Por outro lado, também necessito dizer algo sobre "Meu tio Matou um cara", o novo filme de Jorge Furtado. Sem nenhum comentário imbecil sobre "Oh, como ele é estiloso, como ele usa bem efeitos de narrativa, etc", o que interessa dizer sobre Furtado é como ele é estiloso, como ele usa bem efeitos de narrativa, etc.
Ok, desculpem por isso. Meu tio é o filme de Furtado com menos estilo, com menos efeitos de narrativa, com menos ironia. Porém, alia-se duas histórias com o mesmo personagem que decorrem ao mesmo tempo, o romance e o policial. No romance, ele é péssimo, não consegue conquistar a garota por quem se apaixona, ela fica com seu melhor amigo, ele sofre por isso. No policial, ele ajuda a investigar o tio que, ahn, matou um cara. Jogos de computador podem ser úteis até.
Musiquinhas de Caetano Veloso, atores globais, Deborah Secco de topless, infelizmente não mostrado. Furtado tem talento demais para ficar preso à Globo Filmes, é mais criativo, é mais original que tudo que existe por lá. O filme poderia ser bem melhor, apesar de ser legal, mas há Globo filmes por trás, e isso prejudica muito.
The Grudge
De Takashi Shimizu. Com Sarah Michelle Gellar, Bill Pullman
EUA, 2004, 93 Min.
Meu Tio Matou um Cara
De Jorge Furtado. Com Lázaro Ramos, Darlan Cunha, Sophia Reis, Deborah Secco
Brasil, 2004, 87 Min.
postado por Carlos Massari |
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2.1.05
FILMES DO MÊS - DEZEMBRO
Muito em breve - Melhores do ano, piores do ano, prêmio Cinéfilos Online, etc.
01 - Vida e Nada Mais (E a Vida Continua...) (Abbas Kiarostami 92) - **
02 - Dois Perdidos numa Noite Suja (José Jofilly 02) - **
03 - Noites de Cabíria (Federico Fellini 57) - ***
04 - Spartan (David Mamet 04) - ***
05 - Bridget Jones: No Limite da Razão (Beeban Kidron 04) - **
06 - O Agente da Estação (Thomas McCarthy 03) - *
07 - Alphaville (Jean-Luc Godard 65) - ****
08 - Finis Hominis (José Mojica Marins 71) - **
09 - Ritual de Sádicos (O Despertar da Besta) (José Mojica Marins 69) - ****
10 - A Sétima Vítima (Jaume Balagueró 04) - **
11 - O Expresso Polar (Robert Zemeckis 04) - *
12 - O Demônio das Onze Horas (Jean-Luc Godard 65) - ****
13 - Uma Mulher é uma Mulher (Jean-Luc Godard 62) - ****
14 - Delírios de um Anormal (José Mojica Marins 78) - ***
15 - Hiroshima Mon Amour (Alain Resnais 59) - *
16 - Esta Noite Encarnarei no teu Cadáver (José Mojica Marins 67) - ****
17 - Zero de Conduta (Jean Vigo 32) - ***
18 - Os Incríveis (Brad Bird 04) - **
19 - Contra Todos (Roberto Moreira 04) - 0
20 - Na Idade da Inocência (François Truffaut 76) - **
21 - Sob a Areia (François Ozon 00) - *
22 - Johnny Guitar (Nicholas Ray 50) - ***
23 - Essa Mulher é Proibida (Sydney Pollack 66) - ***
24 - Gozu (Takashi Miike 02) - ****
25 - O Convento (Manoel de Oliveira 95) - 0
26 - Sitcom - Nossa Linda Família (François Ozon 98) - *
27 - Os Sonhadores (Bernardo Bertolucci 03) - ****
28 - Nina (Heitor Dhalia 04) - 0
29 - Nós que nos Amávamos tanto (Ettore Scola 74) - ****
30 - Week-End (Jean-Luc Godard 67) - ****
31 - Alfie - O Sedutor (Charles Shyer 04) - **
32 - Atirem no Pianista (François Truffaut 60) - ***
33 - The Cooler (Wayne Kramer 03) - **
34 - Sonny, o Amante (Nicolas Cage 02) - *
35 - Entreatos (João Moreira Salles 04) - ***
36 - Peões (Eduardo Coutinho 04) - **
37 - Morte em Veneza (Luchino Visconti 71) - ****
38 - Amores Expressos (Wong Kar-Wai 94) - ****
39 - Bande à Part (Jean-Luc Godard 64) - ****
40 - Um Certo Carro Azul (Esqueci o nome de quem fez isso 03) - ***
41 - Ladrões de Bicicletas (Vitorio De Sicca 46) - ****
42 - Glauber, o Filme - Labirinto do Brasil (Silvio Tendler 03) - *
43 - A Última Gargalhada (F.W. Murnau 24) - *
44 - Bob Esponja - O Filme (Sei lá quem 04) - **
45 - Doze Homens e outro segredo (Steven Soderbergh 04) - **
46 - O Anti Herói Americano (Robert Pulcini e outro cidadão ae 03) - ***
47 - Lola (Rainer Werner Fassbiner 81) - 0
É isso, coleguinhas. Comentários completos sobre eles aqui
postado por Carlos Massari |
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2.1.05
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